Luiz MacPontes
Ela, sob o verniz dos amores
Rompeu sutil – a primeira amada –
Terno primor, o nectar das flores;
Das divindades a mais honrada
E nos percalços da existência,
Que despedaça o corruptiível,
Sobreveio ao amor, a indigência,
Porquanto a dor é inesquecível
Ela – a quem eu tanto esperava –,
Sem saber que ela existia,
Sonhou com quem tant'ela esperava,
E sonhei o amor qu'nela jazia
Do auge dos corações feridos,
As feridas não cessam de sangrar,
E nos seus olhos miúdos, sonhos,
Que eu, loucamente, sonhei sonhar
Contudo, já não se crê no amor
Quand'o amor suspeita não amar,
Quando a desdita e o temor
O sacro verbo ousam conjugar
Mas o maior poder universal,
Que une os corpos e as almas,
Lavrou um novo e'terno cristal,
E nele fundiu as nossas almas