Ele
Ele
Luiz MacPontes
Ele, surrado pela saudade,
Não sucumbiu – não –, fortaleceu-se.
Estremeceu, mas com dignidade;
Cada vez que despencou, ergueu-se
E, as ausências sucessivas
Que sobre ele sobrevoavam,
Brandiram suas asas repressivas,
Dias e noites o torturavam
Ele – o saudoso aventureiro –,
Amou tanto – e na distância –,
Que deixou naufragar o veleiro:
Os sonhos da sua infância
Socorrido por Aquele que é,
Viveu vida boa, abundante,
Mas foi julgado pelo que não é,
Pois que navegou sem comandante
Desbravou voragens e procelas,
E, nos seus próprios juízos creu,
Cego, pintou suas aquarelas
Com o pincel da saudade, o seu,
Sem fé, em si apostou, confiante,
Quando o ego não mata, cega...
Remiu-se o triste navegante,
Sem comandante não se navega!