Luiz MacPontes
Ele, sob a infâmia policroma
Viu a luz num solo desabrido,
O pai qu'eu não lhe fui é a soma
Dos ecos de um brado reprimido
Cortês, sob as garras de tiranos,
Na minha ausência chorou, e gemeu
Cantando o hino dos enganos
Nos átrios da saudade – no liceu –,
Ele, dos seus sonhos exalava
O bom aroma dos bons licores,
O seu amor no meu destilava
Os olentes carpos dos amores
Pois que no seu semblante jazia
Um anseio intenso – fúlgido –
Que a esperança já benzia
No seu olhar sincero – lúcido –,
Ordeiro, asseado, peralta,
Semoto, o infante florecia;
Logo, sob as luzes da ribalta,
Na cena da vida; acontecia
Na distância ancorou o tempo,
E no tempo a dor palpitava,
No seu sangue corria um lamento
Que no meu sangue transvazava