רִבְקָה
רִבְקָה
Luiz MacPontes
Ela, cria da minha velhice,
Logo partiu – dádiva furtiva –
Não colheu a minha rabugice
Nem eu resgatei a flor cativa
Quando foi arrebatada, sofreu
O martírio dos inocentes,
Ainda em vida – caída – morreu
Feito os lírios desvanecentes
Ela, sob a verga contundente
Dos seus algozes, implorou perdão,
E nenhum bálsamo recendente
Foi-lhe sobre a pele redenção,
Sobre o trono do bispo de Roma
Pouco durou a sua glória,
Reinou a nívea paloma
Nos idos da sua história
Sob o estigma do patriarcado,
Resignada, jurou capitular,
Punido foi seu pontificado,
Pois que sangraram-lhe a jugular
A minha caçulinha ditosa,
Prostada diante do horror,
Tentou erguer-se – impetuosa –
Foi, então, sepultado o seu clamor